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Banqueiro do rombo bilionário bancava filme de Bolsonaro enquanto Flávio chamava Vorcaro de “irmão”

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura
Foto: Adriano Machado
Foto: Adriano Machado

A reportagem do Intercept Brasil joga luz sobre algo que o bolsonarismo tentou negar durante meses: a relação íntima entre o clã Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E não estamos falando de uma aproximação superficial. Segundo as mensagens reveladas, Vorcaro negociou o repasse de até R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”, o filme sobre Jair Bolsonaro. Pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido pagos.

Quem negociava diretamente com Vorcaro? Flávio Bolsonaro. O mesmo Flávio que dizia publicamente que ligar o Banco Master à direita era “narrativa”. Nos bastidores, a conversa era bem diferente. “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, escreveu o senador para o banqueiro pouco antes da prisão de Vorcaro.


E aqui entra uma pergunta simples: alguém realmente acredita que um banqueiro coloca mais de R$ 60 milhões em um filme político por amizade?


Segundo a investigação, o projeto previa aportes milionários para uma produção internacional voltada à imagem de Jair Bolsonaro, com atores de Hollywood, diretor renomado e lançamento programado para acontecer perto da eleição presidencial de 2026. Não era apenas cinema. Era projeto político.


As mensagens mostram Flávio pressionando pela liberação dos pagamentos, reclamando de atrasos e alertando que a produção poderia parar. Em um dos trechos revelados, ele diz que seria um desastre “dar calote” nos profissionais envolvidos no longa. Em outro momento, afirma para Vorcaro: “Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”.


E vale lembrar o contexto. Segundo as investigações, Vorcaro foi preso acusado de operar um esquema que teria causado um rombo bilionário no sistema financeiro. Mesmo assim, era tratado pelo bolsonarismo como aliado de confiança. Flávio o chamava de irmão. Eduardo Bolsonaro aparecia nas articulações. Mario Frias ajudava na intermediação. Thiago Miranda também aparece nas negociações.


A própria reportagem mostra que os pagamentos do filme eram tratados como prioridade máxima por Vorcaro. Em uma das mensagens, ele afirma que o projeto era “o mais importante disparado”. Não parece exatamente o comportamento de alguém fazendo um favor casual.


Outro detalhe chama atenção: parte das operações financeiras teria sido enviada para fundos ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Tudo isso acontecendo enquanto Flávio seguia dizendo à imprensa que não existia ligação entre Vorcaro e a direita brasileira.


A verdade é que o escândalo ajuda a desmontar uma das maiores farsas do bolsonarismo: a de que representa combate ao poder econômico e às velhas relações entre empresários e política. No fim das contas, aparece um banqueiro acusado de fraude bilionária financiando, com dezenas de milhões de reais, um projeto político-cultural da família Bolsonaro. E convenhamos: ninguém banca um filme de R$ 134 milhões “pelos lindos olhos do Bolsonaro”.


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