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Natanzinho não destruiu "Malandragem", apenas desafiou rótulos

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Natanzinho destruiu uma canção de Cássia Eller ou isso é apenas xenofobia? O jornalista Mauro Ferreira, um sudestino, criticou a regravação da música “Malandragem”, presente no último álbum ao vivo do cantor itabaianense. 

Na crítica, super infeliz e fora do tom, o crítico afirma que “coube a Natanzinho Lima destruir ‘Malandragem’” e que a regravação seria uma “inadequação”, que não teria sentido ele incluir a música num álbum que surge no apogeu da carreira do cantor e que destoa das letras e ritmos do cantor brega.


Quando me deparei com a crítica, fui ouvir as duas versões que o cantor tem dessa música e não entendi o problema. O problema é pegar um rock-pop e levar para um ritmo mais popular e tido como periférico? E onde está a inadequação? A crítica reproduz uma lógica conhecida por nós do Nordeste,  quando o Sudeste e o Sul olham nossa arte, produção acadêmica ou nossas escolhas políticas como inferiores.


Evidentemente a versão da Cássia é insuperável, um clássico de nossa música, porém, as centenas de regravações dessa canção modificaram o tom, o ritmo e tá beleza! Mantém a obra viva e rompendo o véu do tempo, alcançando públicos diferentes. Tem regravações em pop, reggae, forró e brega e isso deve ser comemorado. 


Quando Maria Bethânia cantou Pablo em seu show, foi lindo, não foi inadequação. Não destruiu e soa até  estranho imaginar que Bethânia destruiria algo, mas se Pablo cantar algo dela, certamente leremos críticas semelhantes a essa de Mauro. 


Ninguém destruiu nada, até porque a original está aí para ser consumida. Críticas como essa acabam sugerindo que determinados artistas deveriam permanecer restritos ao repertório associado ao seu gênero, mas eu prefiro comemorar a troca cultural. Fico feliz que Natanzinho tenha Malandragem como especial para ele, e espero que ele regrave outros clássicos da música brasileira. Assim João Gomes faz, assim como Zé Vaqueiro, Léo Foguete e tantos outros. Quando Gal Costa gravou a canção “Um dia de domingo” com o Tim Maia foi massacrada pela crítica por ser algo popular demais, o tempo transformou a música num clássico e mostrou a burrice das críticas.


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