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Um nó na garganta, e um ponto de partida para reação

Foto do escritor: André Carvalho
André Carvalho
há 6 horas
2 min de leitura
Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE
Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE

O resultado do primeiro turno me deu um nó na garganta. Por não entender os motivos de o povo brasileiro ainda dar espaço e perspectiva de poder para um projeto tão ruim, que se mostrou falido.


Flávio Bolsonaro (PL) terminou o domingo com 47,03% dos votos válidos, e Lula (PT), com 45,16%. Vamos para o segundo turno no dia 25 de outubro.

Eu sei das críticas ao governo Lula, mas, sinceramente, não são elas que explicam essa votação.

Eu gostaria de entender o motivo de o eleitor querer escolher um Bolsonaro mais uma vez. Mais do que quem esse eleitor quer, o porquê. Eu poderia enumerar diversas frentes nas quais esse governo é melhor do que o anterior, mas isso não parece importar.


E isso me deixou meio triste da noite de domingo para cá.


Eu amo política, porque amo sua capacidade de realizar transformações coletivas. E me angustia a possibilidade de que nosso povo escolha uma transformação que pode piorar fortemente a vida do nosso povo.


Isso aqui é um desabafo, mas também um ponto de partida para reação. Precisamos ser realistas: será muito mais difícil do que pensávamos.


Mas mais de 33 milhões de pessoas não foram votar no domingo. Isso mesmo! Foram 33.466.783 abstenções, 21,08% do eleitorado, a maior desde 1998 e acima dos 20,95% do primeiro turno de 2022.


Os brancos e nulos também cresceram: somaram 4,77% dos votos para presidente, quase 6 milhões, contra 4,41% em 2022. E só os brancos e nulos já são mais do que a diferença entre Flávio e Lula.


Talvez eleitores que se abstiveram de escolher se engajem, e precisamos estimulá-los.


Não acho interessante o ataque aos eleitores sem antes escutá-los. Escutar suas razões dá mais caminho para tentar achar pontes do que mangar.


Peço que pegue essa missão de buscar a solução. Sei que não sou representante do Lula, nem filiado a partido, mas, como cidadão, eu peço que se esforce para convencer. Conversa com uma pessoa que não votou no domingo. Uma só, essa semana. Para que possamos achar, coletivamente, o freio dessa matéria desgovernada que ameaça despencar sobre todos nós!


Espero que o dia 25 seja diferente.


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