Corrente do PT lança Caroline Rejane como pré-candidata ao governo e expõe divergência sobre apoio a Mitidieri
- André Carvalho

- há 3 dias
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Cada vez mais provável, o apoio do PT à reeleição do governador Fábio Mitidieri (PSD) parece não constranger quem, no partido, coloca a sede de poder à frente do compromisso histórico de fortalecer o campo de esquerda. Na contramão, a militância petista ainda encontra dificuldades de compreender e aceitar essa aliança, no mínimo, contraditória. Nesse sentido, a corrente Articulação de Esquerda (AE) lançou, na última quarta-feira, 8, Caroline Rejane como pré-candidata ao governo de Sergipe.
Jornalista, Caroline ocupa a vice-presidência da Central Única dos Trabalhadores em Sergipe e representa o setor sindicalista do partido. No último Processo de Eleição Direta do PT, Caroline disputou a presidência estadual do partido, ficando na terceira colocação, atrás de Rogério Carvalho e Cássio Murilo.
Com o apoio de nomes como Ana Lúcia, Professor Dudu e Professor Benizário, o nome de Caroline surge não apenas como uma pré-candidatura, como, também, uma expressão pública de profunda insatisfação com os rumos que o partido poderá tomar nessa eleição. Apesar de ser considerada uma corrente dentro do partido mais à esquerda do que a majoritária CNB, o ato de insatisfação com uma possível aliança com Fábio Mitidieri e André Moura não está presente apenas na AE, mas em praticamente toda militância orgânica que busca fazer política e não somente ocupar cargos – eletivos ou não – a qualquer custo.
É importante, contudo, informar ao leitor que o lançamento por parte da Articulação de Esquerda do nome de Caroline não representa uma pré-candidatura do PT, mas da construção do debate com o partido e demais correntes, como a CNB, Movimento PT, RS, de qual posicionamento o partido tomará em Sergipe no pleito de 2026.
É fato que cooperar com a reeleição de um governo que atua contra as bases do PT não deverá trazer bons frutos à sigla no médio prazo. Acontecimentos recentes no estado, como em 2022, demonstram que a fome eleitoral que sufoca a mínima coerência ideológica pode ser mais danosa e gerar perdas imediatas e prolongadas. Que o PT se desembriague da sede pragmática que seca o corpo político dos nutrientes mais essenciais e não se ajoelhe ao poder pelo poder.




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