União Brasil quer copiar em Aracaju projeto contra parada LGBTQIA+ de SP
- André Carvalho

- 26 de mai.
- 2 min de leitura

A comunidade LGBT+ está sendo perseguida pelo partido de André Moura em São Paulo e em Sergipe! Mais uma vez, usam a nossa existência para captar votos, porque, no fim, é isso que esse tipo de político quer. Um vereador do União Brasil conseguiu aprovar um projeto que proíbe a presença de crianças na Parada do Orgulho da comunidade LGBTQIAPN+ em São Paulo. O projeto precisa de uma nova votação e da sanção do prefeito, porém é um texto inconstitucional. Diante disso, o vereador Diego, do União Brasil, protocolou o mesmo texto na Câmara de Aracaju.
A questão da criança é estratégica. Querem usar a emoção para legitimar o ódio à existência de toda uma diversidade de pessoas. Querem dizer que nós, LGBTs, somos promíscuos, marginais, indignos de viver em sociedade e que merecemos as sombras. Não é exagero, é exatamente isso.
Quando eu era criança, já sabia que era gay, mas ouvia discursos de como essa existência seria errada e até perigosa. Faltavam exemplos de gays bem-sucedidos, que casavam, constituíam família e acessavam a universidade. Na verdade, essas pessoas existiam, mas não me falavam delas, o que era muito angustiante. Hoje, as novas gerações entendem que há lugar possível na sociedade para toda uma diversidade. Porém, setores querem que isso não seja dito porque defendem a repressão e a marginalidade para a comunidade.
Veja que usei o nome de André Moura no início, e não é à toa. Ele é o líder do partido aqui em Sergipe e, junto com sua filha, tenta usar nossa imagem em campanhas eleitorais para conquistar nosso voto. Só que cadê esse apoio quando membros do seu partido querem criminalizar a existência de pessoas LGBTs? O vereador também é aliado de Fábio Mitidieri e Emília Corrêa, que não lutam por nossas bandeiras, por mais que façam alguns gestos pontuais por serem governantes. Não basta ser aliado em peça de campanha.
Esse projeto é político e eleitoreiro. Temos problemas reais, basta ver nos telejornais, mas o que preocupa esse pessoal é como criminalizar a existência de pessoas lésbicas, gays, trans, bi etc. Para esse grupo, é mais importante debater se uma mulher trans pode ou não entrar em um banheiro de acordo com sua identidade de gênero, ou se crianças podem conviver conosco — enquanto o contrário não existe. Não queremos proibir crianças de se batizarem em igrejas, de verem beijo hétero em cerimônias matrimoniais ou de irem às marchas da extrema direita, onde são expostas a discursos de ódio… A diferença é clara, enquanto uma comunidade luta para existir, a outra usa o ódio humano para obter lucros.
Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense




Comentários