Lula fez mais pela classe média do que Bolsonaro


Se você é da classe média, Lula (PT) fez mais por você do que Jair Bolsonaro (PL). No vídeo que gravei, mostro isso em menos de dois minutos. Aqui, explico com calma, com os números e as fontes, pra quem quiser conferir.
Começa pelo Imposto de Renda, que é onde a diferença fica mais escancarada. Em 2018, Bolsonaro prometeu isentar quem ganhava até cinco salários mínimos, o que na época dava R$ 5 mil. Passaram os quatro anos do mandato e nada. A faixa de isenção ficou parada em R$ 1.903,98, e em 2021 ele mesmo jogou a toalha, dizendo que não dava porque “o Brasil está quebrado”. Enquanto isso, a tabela foi ficando pra trás: segundo o Sindifisco, a defasagem chegou a 26,6% em três anos e meio de governo. Na prática, gente que não tinha ganhado um centavo a mais passou a pagar imposto só porque a inflação empurrou o salário pra cima.
Lula prometeu a mesma coisa em 2022 e cumpriu. Sancionou a lei em 26 de novembro de 2025, e desde janeiro deste ano quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga Imposto de Renda. Quem ganha exatamente R$ 5 mil economiza R$ 312,89 por mês, o que dá R$ 4.067,57 no ano contando o 13º.
Quem ganha até R$ 7.350 também paga menos, num desconto que vai diminuindo até essa faixa. E o mais importante: a conta não foi pro colo do trabalhador. Quem cobre a isenção são os cerca de 140 mil brasileiros que ganham mais de R$ 50 mil por mês e agora pagam um imposto mínimo de até 10%. Isso tem nome, e o nome é justiça tributária.
Depois vem o emprego. O Brasil fechou 2025 com desemprego de 5,1%, o menor desde que o IBGE começou essa pesquisa, em 2012. No segundo trimestre deste ano, eram 39,4 milhões de pessoas de carteira assinada, recorde da série. Pra comparar, no pior momento do governo Bolsonaro, na pandemia, o desemprego bateu 14,9%.
Ah, mas teve pandemia. Teve, e eu levo isso em conta. Só que o número de hoje é o melhor da série inteira, com ou sem pandemia na conta. O próprio IBGE faz a ressalva de que a renda média ficou estável, porque quem entra no mercado costuma ganhar menos, e que a informalidade ainda passa de 37%. Tem muito a fazer, mas a direção é outra.
Pra quem trabalha por conta própria, o assunto é o MEI. Quem criou o MEI foi Lula, em 2008. O teto de faturamento estava parado em R$ 81 mil desde 2018 e não andou nada no governo passado. Agora, Câmara e Senado aprovaram, nos dias 14 e 15 deste mês, o projeto do governo que sobe esse teto pra R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Falta a sanção. Pra quem vende na feira, faz unha em casa ou conserta celular, isso é a diferença entre continuar no MEI ou passar a pagar imposto de empresa.
E aí entra o que a classe média mais quer, que é um futuro melhor pros filhos. No governo Bolsonaro, as universidades federais viveram de corte em corte. Em 2022, o orçamento delas era de R$ 5,6 bilhões, 12% menor que em 2019, e ainda teve bloqueio em cima disso. No fim do mandato, a Capes chegou a avisar que não tinha dinheiro pra pagar a bolsa de mais de 200 mil pesquisadores.
Lula fez o caminho contrário: anunciou R$ 5,5 bilhões pra obra nas universidades e nos hospitais universitários, com dez campi novos e 28 mil vagas de graduação, e mandou construir 100 novos institutos federais pelo país, com 140 mil vagas, a maioria de ensino técnico junto com o ensino médio. As bolsas de mestrado e doutorado, congeladas desde 2013, subiram 40%: o mestrado foi de R$ 1.500 pra R$ 2.100, e o doutorado, de R$ 2.200 pra R$ 3.080.
E quem se enrolou com o Fies ganhou o Desenrola, com desconto que chega a 99% pra quem está no CadÚnico. Estudar não pode virar uma dívida que persegue o menino pro resto da vida.
Na casa própria, a classe média sempre ficou no meio do caminho. Ganha demais pra entrar no programa social e de menos pra encarar o juro do banco. Lula criou em 2025, e ampliou em abril deste ano, a Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida: famílias com renda de até R$ 13 mil podem financiar imóvel de até R$ 600 mil, com juros na casa dos 10,5% ao ano e usando o FGTS. Bolsonaro trocou o nome do programa pra Casa Verde e Amarela, e o teto de renda nunca passou de R$ 8 mil. Pior: o dinheiro sumiu. Em 2021, a verba de R$ 1,37 bilhão prevista pro programa foi vetada inteira pra pagar emenda de aliado, e a faixa das famílias mais pobres ficou com R$ 400 milhões. Pra 2023, o governo Bolsonaro mandou ao Congresso um orçamento de R$ 34,1 milhões pra moradia popular, 95% menos que no ano anterior. Isso não é programa habitacional, é placa na porta.
Se tem casa, tem carro também. Em julho de 2025, o governo zerou o IPI do carro popular fabricado no Brasil, e o desconto chegou a R$ 13 mil em modelos como Onix, Kwid, Polo, HB20, Mobi e Argo. Em dez meses de programa, a venda de carro de entrada subiu 32,9%, segundo a Fenabrave. Bolsonaro também cortou IPI de carro, é verdade, só que em 2022, ano de eleição. A diferença é que o programa atual é focado no carro popular e menos poluente, e quem compensa a conta é o carro que polui mais. E desde dezembro do ano passado, ninguém é mais obrigado a passar pela autoescola pra tirar a CNH: o curso teórico ficou gratuito, a aula prática mínima caiu de 20 pra duas horas, e o Ministério dos Transportes calcula que o custo total pode cair até 80%.
Com carro e CNH, é hora de ir ao posto, e aqui vale ser honesto com o leitor sergipano. A média nacional da gasolina chegou a R$ 7,39 em junho de 2022, no governo Bolsonaro, e no início deste mês estava em torno de R$ 6,55. Só que em Sergipe a média está perto de R$ 7, então ninguém vai encontrar R$ 6,50 no posto da esquina. A comparação justa é média com média. E tem outro detalhe: no fim de 2022, a gasolina caiu porque Bolsonaro zerou imposto federal e limitou o ICMS dos estados às vésperas da eleição, tirando dinheiro de saúde e educação estaduais. Preço segurado na canetada não é preço estável. Onde a diferença aparece sem discussão é no diesel, que puxa o frete e o preço da comida na feira: descontada a inflação, ele subiu mais de 40% com Bolsonaro e ficou mais barato com Lula. A inflação média também ficou menor, perto de 4,9% contra 5,5%, e quem lembra de 2021, com a inflação passando de 10% e o gás e a carne lá em cima, sabe do que eu estou falando.
O ponto fraco do governo é o juro, e eu não vou fingir que não é. A Selic está alta, e isso pesa no financiamento da casa, do carro e no cartão de crédito. Mas é bom lembrar que a Selic saiu de 2% e chegou a 13,75% ainda no governo Bolsonaro, que o Banco Central é autônomo e que Lula vive brigando publicamente pra esse juro baixar. Quem paga essa conta é a classe média, e o governo sabe disso.
Nada tá fácil, nem vem de mão beijada. O papel do governo é dar condições pra gente progredir, e, somando Imposto de Renda, emprego, educação, casa própria, carro e custo de vida, a classe média tem muito mais motivo pra se sentir lembrada agora do que no governo passado. Agora, Flávio Bolsonaro (PL) apresenta o plano dele como continuação do governo do pai. Espero que, no dia 25, a classe média sergipana lembre de como era.




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