Escala 6x1: a "liberdade" que Flávio Bolsonaro oferece ao trabalhador é engodo


Flávio Bolsonaro (PL) quer convencer o trabalhador brasileiro de que perder direitos é ganhar liberdade. Em entrevista, ao falar da alternativa ao fim da escala 6x1, ele disse: "vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho".
Já tentou falar pro seu chefe que você só quer trabalhar 2h hoje? E que amanhã não tá a fim de trabalhar?
É essa farsa que Flávio Bolsonaro tenta colocar na mesa para se opor ao fim da escala 6x1 defendida por Lula (PT).
A realidade é que o grupo dele não quer que o cidadão brasileiro tenha mais um dia de descanso e, como reação, tá propondo um modelo que pode explorar mais o trabalhador com uma suposta perspectiva de liberdade.
O texto que Flávio diz defender é a PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha presidencial de Flávio. E foi o próprio Marinho quem, na CCJ do Senado, apresentou um destaque para manter apenas um dia obrigatório de descanso por semana. O destaque foi rejeitado. Isso mesmo!
Na prática, no modelo que ele defende, o que você combina sozinho com o patrão pode aumentar a jornada semanal para até 52h. O contrato individual passaria a valer mais do que os acordos coletivos negociados pelos sindicatos, e direitos como décimo terceiro, férias e FGTS passam a ser calculados de forma proporcional às horas trabalhadas.
Se hoje, com todos os direitos trabalhistas, é difícil um empregado dizer não ao patrão, que dirá num sistema com menos garantias.
Essa história de que o funcionário negociará com o patrão é engodo para tentar convencer o povo a abraçar um projeto ruim para si. Porque veja, nós trabalhamos por precisar do dinheiro para sobreviver, não é um mimo, um prazer, mas uma necessidade.
Nesse cenário, haveria espaço para liberdade? É completamente desonesto.
O governo Lula está se esforçando para que os trabalhadores tenham mais um dia de descanso. A PEC do fim da escala 6x1 foi aprovada na Câmara no fim de maio e passou pela CCJ do Senado no início de setembro. Agora, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), prevê a primeira votação já na semana que vem. Para aprovar, são necessários 49 dos 81 senadores.
E isso precisa ser aprovado no Senado ainda neste ano porque, infelizmente, o grupo de Flávio vai dominar o Senado no ano que vem.
Espero que os senadores de Sergipe estejam do lado de quem trabalha.
E você, conseguiria negociar sua jornada com seu chefe?




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