Denúncia: hospital público de urgência teria sido usado para cirurgia estética privada


Hospital público de urgência sendo usado para cirurgia plástica particular. Isso teria ocorrido mais de uma vez no Hospital Regional de Itabaiana. A denúncia foi recebida por nós e também já circula em outros veículos, apontando que o centro cirúrgico da unidade — que é voltada para atendimentos de urgência e emergência — teria sido utilizado para a realização de procedimentos estéticos particulares, com uso de toda a estrutura do SUS.
Um médico teria realizado procedimentos em uma das funcionárias do hospital e, posteriormente, uma abdominoplastia em outra paciente. E, aqui, nem é necessário entrar no debate sobre a realização de cirurgias estéticas sem fins terapêuticos dentro da rede pública, porque o ponto central já é suficientemente grave: a utilização da estrutura do SUS para atender interesses privados, no “jeitinho”, à margem de qualquer justificativa plausível.
No registro do procedimento, que apresenta rasura, consta uma correção de hérnia, e não uma abdominoplastia, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a condução do caso. A situação gerou forte revolta entre funcionários do hospital e, após a repercussão, o diretor técnico da unidade, Samuel Rodrigues, foi exonerado.
O episódio ocorre, inclusive, em um contexto em que a própria atuação do hospital já vinha sendo questionada, especialmente após o anúncio de que a unidade passaria a realizar procedimentos como vasectomia e laqueadura, mesmo sendo um hospital de urgência e emergência que ainda enfrenta críticas por encaminhar cirurgias dessa natureza para o HUSE.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde não respondeu se a exoneração do diretor tem relação com o caso, limitando-se a informar que a situação está sob investigação.
"A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que o caso envolvendo o Hospital Regional de Itabaiana está sob investigação e em caso de comprovação, adotará todas as providências legais cabíveis.
Informa ainda que não existe qualquer registro formal por meio da Ouvidoria ou de denúncia oficial, e que tomou conhecimento por meio da imprensa. Ainda assim, a SES reforça seu compromisso com a adoção das medidas necessárias."
É importante que, além de denunciar à imprensa, os profissionais formalizem essas situações junto aos canais oficiais do Estado. No entanto, diante de relatos recorrentes de perseguição política dentro do hospital, não é difícil compreender por que, em muitos casos, a confiança na exposição pública acaba sendo maior do que na via institucional.
Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense




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