O imperialismo estadunidense na Venezuela e no mundo
- Bruno Vieira

- há 2 dias
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Ataques armados realizados pelos Estados Unidos da América a países da periferia capitalista não são algo atípico. Ao contrário, trata-se de uma medida trivial à maior potência imperialista do globo. O país, localizado na América do Norte, tem desde meados do século XX, com a eclosão da II Guerra Mundial (1939-1945), papel preponderante dentro do cenário geopolítico e econômico global.
Com o fim da II Guerra, os EUA saíram do confronto ainda mais absolutos, além da hegemonia geopolítica, despontaram como superpotência em escala mundial. O país converteu-se no maior financiador da reconstrução de nações devastadas pela Guerra, consequentemente ampliou em demasia os seus poderes econômico, tecnológico e bélico, passando a rivalizar com a União Soviética por novos territórios, interessado em expandir o mercado capitalista; sobretudo nos países periféricos. Este período da história ficou conhecido por “Mundo Bipolar” e/ou “Guerra Fria” (1947-1991).
Durante a segunda metade do século XX e desde o início do século XXI independente do seu presidente/governo, sob o manto de defensor da pátria, da democracia e da liberdade de nações independentes, soberanas e livres, o país é responsável por planejar, influenciar, financiar e instaurar: sanções econômicas-financeiras; guerras civis; ditaduras (neo)fascistas; derrubadas de governos democráticos; perseguição, ameaças e descrédito de figuras públicas em países subdesenvolvidos, especialmente da Ásia, da África e da América Latina. Tudo isso ocorre, por norma, em razão de governos e nações não se renderem e não se submeterem às exigências imperialistas impostas pelos EUA aos seus territórios, populações e riquezas.
Ao valer-se do seu poder dentro da Organização das Nações Unidas – ONU (sediada em território estadunidense), ao ter poder de veto, o país tem arbítrio para barrar qualquer medida substancial sem a aprovação dos demais países membros da cúpula. Poder o qual sempre foi empregado para proteger países aliados, a exemplo de Israel que promove há décadas o genocídio indiscriminado do povo palestino, e para atacar aqueles definidos como rivais, como Cuba e a Venezuela. Isso significa que, em virtude do “livre arbítrio” dentro da ONU, conjugado à sua musculatura político-econômica, tecnológica e militar dentro do cenário geopolítico global, os EUA detêm um sólido aparato de ameaça aos países subdesenvolvidos subordinados ao capital internacional imperialista, em especial, aqueles que resguardam em seus territórios consideráveis reservas de recursos naturais, como petróleo e ouro.
Contudo, ao considerar a crise estrutural do modo de produção capitalista e sua constante procura por saídas contraditórias no sentido de enfrentar e mitigar seus efeitos orgânicos, fica evidente que o ataque praticado pelos Estado Unidos contra a Venezuela, na madrugada deste sábado, dia 03 de janeiro de 2026, traduz o “desespero” do imperialismo estadunidense em face da asfixia e saturação do sistema hegemônico. A disputa geopolítica com a Venezuela nunca foi e nunca será sobre libertar a nação e manter sua democracia, ao contrário, é sobre apropriar-se das riquezas presentes em seu território, sobretudo o petróleo, recurso natural cujo país possui as maiores reservas do planeta. Noutras palavras, o interesse de Donald Trump e dos EUA é subordinar a Venezuela e o seu povo aos interesses sórdidos capitalistas e saquear suas riquezas. Como acentua David Harvey em sua obra “O Novo Imperialismo”, “quem controlar a torneira global do petróleo poderá controlar a economia global, pelo menos no futuro próximo” (2014, p. 25). Neste sentido, os EUA utilizam-se há décadas da barbárie como último recurso para este fim.
Diante dos últimos acontecimentos geopolíticos na Venezuela, é importante a mobilização de países, instituições e agentes políticos internacionais parceiros, no sentido de estabelecer medidas cabíveis no enfrentamento da gravidade e seriedade que representa o ataque imperialista dos Estados Unidos (comandado pelo atual presidente, Donald Trump) contra: à soberania da Venezuela; do seu povo e do seu líder, o presidente Nicolas Maduro. Ao movimento das massas da classe trabalhadora, como ressalta Rosa Luxemburgo, em sua obra “A Crise da Social-Democracia”, cabe “a autocrítica, uma autocrítica impiedosa, severa, que vá à raiz das coisas, é o ar e a luz sem os quais ele não pode viver. O proletariado precisa aprender com os próprios erros. Caso contrário, o triunfo do imperialismo significará o aniquilamento da civilização, a barbárie” (1990, p. 29).
HARVEY, David. O novo imperialismo. 8. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014. 201 p.
LUXEMBURGO, Rosa. A crise da social-democracia. Tradução de Maura Sardinha. Lisboa: Editorial Presença; São Paulo: Martins Fontes, 1990.






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