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O jeitinho virou regra no transporte coletivo de Aracaju

Foto do escritor: André Carvalho
André Carvalho
há 10 minutos
2 min de leitura
Foto de capa: Ronald Almeida
Foto de capa: Ronald Almeida

O povo de Aracaju merece respeito e, no transporte coletivo, tá faltando. O jeitinho virou regra. Emília Corrêa (PL) precisa parar de brincar com o transporte coletivo de Aracaju, e Fábio Mitidieri (PSD) e demais prefeitos da Grande Aracaju precisam parar de fingir que não possuem responsabilidade.

Não é porque melhorou em relação ao que era com Edvaldo Nogueira (PDT) que a gente deva ignorar a falta de seriedade com que o tema tem sido tratado. Não há garantia de cumprimento de parâmetros mínimos de qualidade, que só são lembrados quando querem trazer empresas de fora, sabe Deus com quais critérios. Do contrário, ignoram os ônibus sucateados.


Basta olhar a sequência. Em agosto, Emília trouxe a Boa Vista, empresa com matriz em Salvador, pra tirar a VRS das linhas, e a Justiça barrou. E aí, o que ela fez? Tirou linha da Modelo pra dar à Boa Vista: seis em setembro, mais sete em outubro e, agora, a Modelo inteira. Ou seja, primeiro escolheram a empresa, depois foram atrás de linha pra ela, e tudo isso por ordem de serviço, sem contrato de concessão. Entende como é confuso e esquisito?

Enquanto isso, trabalhadores sem garantia de direitos e sem certeza do emprego amanhã. Só em agosto, rodoviários da Modelo denunciaram férias atrasadas e FGTS sem depósito. Cidades como Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros sem debater a sério o tema, o governo do estado se esquivando.


É absurdo que o futuro do transporte coletivo por aqui não esteja claro! A licitação de 2024 foi anulada e, até agora, ninguém sabe qual modelo de licitação teremos. Ou vamos ter CORAGEM para fazer do nosso transporte coletivo algo melhor para nossa gente?


Um dos caminhos possíveis para baratear seria justamente termos uma empresa pública para operar parte do sistema, algo que se torna ainda mais viável quando a prefeitura já comprou 30 ônibus elétricos e está comprando mais 36 comuns. Hoje, quem bota eles pra rodar? As empresas privadas. Se o ônibus já é nosso, por que a gente paga a empresa como se ele fosse dela? Por que não está em debate a criação de uma autarquia de transporte, uma empresa pública, pra operar parte das linhas de Aracaju com esses ônibus?


Isso mexeria no preço! Esse ano, o sindicato das empresas disse que a passagem devia custar R$ 8,49. A prefeitura de Aracaju fechou o custo em R$ 7, segurou a tarifa em R$ 4,50 e cobre a diferença com subsídio, com o nosso dinheiro. Quem diz quanto custa rodar um ônibus em Aracaju é o próprio empresário, que, lembro, tá operando sabe Deus sob quais regras. Com uma operação pública, a prefeitura passa a saber o custo de verdade.


Em vez de ficar trocando empresa como quem troca de camisa, a prefeitura deveria debater, pra valer, não apenas uma nova licitação, mas, principalmente, caminhos para remodelar nosso sistema. E lembro que, para depois não falar que houve falha de comunicação, o debate tem que ser com o povo, não somente com empresários.


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