Pré-candidatura do PSOL mostra ao povo sergipano que, além dos projetos à direita, Sergipe tem esquerda
- André Carvalho

- há 2 horas
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Sergipe não é um estado de esquerda, como também não é de direita. É um estado ideologicamente volúvel e, acima dessas categorias, o sergipano quer bem-estar e progresso, subindo no barco que traga alguma confiança de que essas questões serão alcançadas. Se o povo não tem esse apego ideológico, os políticos deveriam ter em alguma medida, pois cabe a eles e aos partidos o convencimento de que a ideologia do projeto interfere no resultado final.
Lá atrás, Jackson Barreto surgiu como um político jovem, forte e que quebrava os tabus. A atuação desse político, principalmente no século passado, foi importante para o fomento do campo de esquerda. O crescimento político de Lula, nacionalmente, e de Marcelo Déda e Zé Eduardo, em Sergipe — ou seja, do PT — deu seguimento à ascensão política da esquerda em Sergipe.
Dissociar o fortalecimento do campo político da ação prática de lideranças e partidos é contraproducente. Partidos sem lideranças com bom diálogo com o povo ou sem governos que mostrem, na prática, por que aquele conjunto ideológico é uma boa opção tendem a não fortalecer o próprio campo político. Trata-se de uma relação de mão dupla: lideranças e governos fortalecem uma ideologia, e uma ideologia fortalecida também produz novas lideranças e governos.
Em estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul vemos uma esquerda historicamente mais organizada e combativa, fruto de figuras históricas e partidos fortes. Em Sergipe, temo a falta de lideranças capazes de fomentar a esperança do povo e, mais ainda, a autodestruição ideológica e política dos partidos de esquerda.
Indo na contramão dessa maioria dos partidos de esquerda, o PSOL apresentou o nome de Helton Monteiro como pré-candidato ao Governo de Sergipe. Para mim, porém, essa pré-candidatura vai muito além de uma disputa de poder. A presença do PSOL na disputa pelo governo é um recado claro ao povo sergipano de que o campo de esquerda existe e de que, por mais que algumas lideranças convençam, com a prática política, que direita e esquerda são iguais, há diferenças robustas que tornam necessária uma alternativa de esquerda no primeiro turno.
Se a esquerda conquistou relevantes espaços de poder em Sergipe, foi por projetos corajosos como o do PSOL. Se perdeu, foi por alianças pragmáticas que só favoreceram a direita e a centro-direita. Sergipe não mudará sua forma de escolher representantes. É preciso mostrar o que nos difere, enquanto esquerda, dos demais projetos políticos. Se não nos diferenciarmos, se formos mais do mesmo, o mais do mesmo com acesso ao capital econômico vencerá quem abriu mão do capital político.




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