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Terreno das catadoras de mangaba entra em projeto de condomínio

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura
Foto: reprodução/SINASEFE
Foto: reprodução/SINASEFE

Um condomínio onde deveria haver mangabeiras. Nesse terreno, onde deveria ser desenvolvido um projeto de cultivo sustentável de mangabeiras pelas catadoras da Barra dos Coqueiros, hoje estão sendo vendidos lotes de um condomínio de alto padrão.


A Prefeitura da Barra dos Coqueiros doou essa área para a associação das catadoras de mangaba do município. Depois, o prefeito Airton Martins tomou o terreno de volta e, sem apresentar uma explicação convincente, metade da área passou a constar no projeto desse condomínio. O terreno das catadoras vai da pista até a praia, mas, como se observa no projeto do empreendimento, ele ocupa justamente a metade que dá acesso à costa.


Procurei a construtora e o secretário de Comunicação da Prefeitura para saber o posicionamento deles sobre o caso. A construtora não respondeu. O secretário respondeu apenas: "OK". Curioso é que o irmão do prefeito, o deputado Adailton Martins, reclamou de quem fala sobre o caso ouvindo as catadoras. Mas, quando a gente procura a prefeitura para ouvir o outro lado, não vem resposta. Fica difícil.


Na semana passada, um ato foi realizado no terreno com a presença de lideranças políticas e militantes. Estive lá e vi de perto a situação dessas mulheres que, praticamente sozinhas, lutam por algo que não garante apenas o sustento de suas famílias e a preservação da mangaba, mas também de um ecossistema que vem sendo engolido pelos condomínios e pelos interesses econômicos.


Elas questionam todo esse processo, que a prefeitura até hoje não explica. Lutam na Justiça para que um decreto não se sobreponha à lei que doou o terreno. Aqui está mais um resumo desse caso, que vocês também podem acompanhar na página delas. É importante divulgar, compartilhar e cobrar explicações das autoridades. Poucos políticos estão apoiando e escutando essas guerreiras. Muitos, inclusive de esquerda, preferem manter distância para não contrariar o prefeito da Barra dos Coqueiros.


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