Rogério Carvalho pode subir no palanque de governista, mas continua sendo indesejado pela família Mitidieri
- André Carvalho

- há 8 horas
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Rogério Carvalho terá que apoiar André Moura e, mesmo assim, não terá o voto da família Mitidieri na urna, segundo fala de Luis Mitidieri. A situação, por si só, já revela uma contradição política difícil de ignorar. Será que Luis conseguirá fazer de André o segundo senador de Lula em Sergipe? A militância petista, para ter Rogério no palanque governista, terá que pedir voto para o articulador do impeachment contra Dilma? São questionamentos importantes. Até onde o PT está disposto a ir para ter um apoio de sorriso amarelo do governador de Sergipe?
Já falamos no Sergipense que Luis não votaria em Rogério. Aliás, nem ele, nem Erica Mitidieri. Mas, agora de forma pública, em entrevista para o pessoal da Fan, o pai do governador reforça que, caso Rogério suba no palanque de Fábio Mitidieri, será um candidato com aquela sensação de espinha de peixe entalada na garganta. Na família Mitidieri, tudo segue como antes: Alessandro Vieira e André Moura como as duas opções.
E esse posicionamento não se restringe a Luis. Além dele, a primeira-dama, Erica Mitidieri, também não dará seu voto a Rogério Carvalho. Trata-se de uma posição que ela deixa clara em seu entorno. Pelos relatos, diferentemente de Luis, Erica sequer estaria disposta a fazer acenos públicos ao petista, o que aprofunda ainda mais o constrangimento político dessa possível aliança.
Indo para o palanque de Mitidieri, Rogério garante menos pressão sobre os prefeitos aliados de Fábio que hoje apoiam o petista. Mas perde a confiança de quem deu voto a ele em 2022 e o defendeu durante sua atuação como oposição; perde o respeito de parte da esquerda; e perde a capacidade de captar, na urna, a insatisfação dos sergipanos com esse governo, entregando isso de mão beijada para a direita.
Ao escolher o palanque de quem sucateia o Estado, seja no saneamento básico, na saúde, na educação ou na segurança pública, Rogério e o PT, incluindo aqui Lula, optam pelo conforto de relações pragmáticas em detrimento do compromisso real com o povo sergipano.
Eu, enquanto ator político de esquerda, não me animo a defender quem não tem coragem de defender meu campo de verdade. Lula, mesmo com isso, seguirá tendo o esforço e a dedicação das militâncias de esquerda por ser Lula. Mas os outros, não sei se conseguirão esse mesmo empenho de quem, tão recentemente, abandonaram na luta.
Diante desse cenário, a pergunta que fica não é apenas eleitoral, mas política: vale a pena para Rogério estar em um palanque onde é claramente indesejado ou seria mais coerente disputar a reeleição a partir de uma plataforma crítica ao governo Mitidieri?
Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense




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