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Sergipe registrou dois feminicídios no último final de semana

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Foto: Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

Machismo mata. E mata de muitas formas. No último final de semana, Sergipe foi atravessado por dois casos extremos, dois feminicídios que escancaram uma realidade que muita gente ainda tenta relativizar. Duas mulheres tiveram suas vidas interrompidas pela violência de homens. Em um dos casos, isso aconteceu diante dos próprios filhos, que vão carregar essa cena pelo resto da vida. 

Esse é um tema difícil para mim porque qualquer tentativa de justiça depois de algo assim parece sempre ínfima, incapaz de reparar o que foi destruído. Fica uma sensação de impotência que é difícil de elaborar. E, infelizmente, isso não é algo isolado. Temos sido impactados constantemente por essa realidade. São feminicídios, tentativas, agressões e toda forma de crueldade contra mulheres.


Da perspectiva que costumo abordar aqui, temos visto, na política, a tentativa de reforçar um padrão social restritivo às mulheres. Movimentos de homens conservadores que disseminam discursos machistas, misóginos e violentos. São falas absurdas que ganham espaço nas redes sociais e tentam sustentar uma falsa narrativa de que os homens estão sendo oprimidos pelas mulheres, de que tudo é mimimi e etc.


Essas falas conservadoras, que colocam o papel das mulheres como de submissão aos homens, são parte desse problema. Quando um policial tira a vida de sua então companheira e é abraçado por colegas de profissão, mostra que nossa sociedade é completamente contaminada pelo machismo. 


Nossa sociedade não está simplesmente adoecida. Ela foi construída sobre esse problema e convive com ele há muito tempo. Talvez por isso uma mulher em espaço de poder ainda incomode mais do que a própria violência contra mulheres. Por isso, enfrentar o machismo não é algo pontual, é um processo contínuo. Quem ri de piada misógina, quem minimiza agressão verbal, institucional ou moral, quem trata isso como exagero, também alimenta esse ambiente. E esse ambiente, em algum momento, transborda em violência.


Não existe solução simples, mas assumirmos responsabilidades ajuda. Estar atento, não silenciar, não relativizar e denunciar qualquer forma de violência contra a mulher é parte do caminho.

Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense


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