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Desesperado por saber que vai perder, Flávio Bolsonaro aposta na inelegibilidade

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Foto: Vittor Sales
Foto: Vittor Sales

Desidratado por sua notável incompetência e, especialmente, por sua ligação íntima com escândalos de corrupção, Flávio Bolsonaro (PL) parece se esforçar ao máximo para ficar inelegível, assim como seu pai, Jair Bolsonaro (PL). As últimas pesquisas apontam para um cenário no qual o político obtém seus piores resultados na pré-campanha.


Tamanho é o naufrágio eleitoral que partidos como Republicanos, PP e União Brasil sinalizam que não farão parte da coligação do PL, tirando tempo de TV e recursos da campanha, mas, acima disso, deixando claro que a direita brasileira vê um esgotamento do ciclo político de Bolsonaro. Sem perspectiva de vitória, o centrão – que é de direita – prefere se manter “isento” e pleitear espaços no próximo governo do PT, sem comprometer a competitividade dos seus candidatos em estados à direita.


Sem conseguir animar o eleitor e sem conseguir apoios políticos, nem mesmo o de sua madrasta, Flávio parece ter apostado em terceirizar seu fracasso à Justiça Eleitoral. Afrontou a legislação ao ler, ao vivo, uma carta do pai e, depois, ao reproduzir em sua convenção um vídeo de IA no qual o presidiário Bolsonaro declara apoio à candidatura do filho. Fez ainda campanha antecipada, ataques sabidamente inverídicos ao sistema eleitoral e somou o apoio de um presidente estrangeiro ao evento. São ações em sequência que expõem um desespero notável de quem parece já saber, no fundo, que perdeu para si mesmo antes de perder para o adversário.


Talvez, finalmente, a perspectiva de o Brasil superar essa polarização anormal, extremamente emburrecida, esteja mais forte com o fim do ciclo da família Bolsonaro. Ainda há um crescimento político da direita em curso, com um iminente avanço desse espectro no Congresso Nacional, especialmente no Senado, mas está em curso, também, a autofagia do bolsonarismo, que tende a produzir uma disputa de poder entre os demais atores da direita.


É bom para a democracia que a direita se reconstrua, nos próximos anos, em algo melhor do que se tornou. Mas o "bom" exige a ressalva: esse espectro já demonstrou que vende a democracia sem pestanejar, contanto que o preço seja o poder. Que se torça, então, por um país em que direita e esquerda voltem a disputar com mais neurônios do que o bolsonarismo nos obrigou anos últimos anos.


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