Fala de Valmir reacende debate sobre participação feminina na política
- André Carvalho

- há 16 horas
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Uma fala de Valmir de Francisquinho, afirmando que "mulher minha não participa de política" está dominando os debates políticos. Uns apontam como misógina, outros dizem que apenas reflete o desejo da esposa dele de não participar da política. Mas, independentemente da intenção, a repercussão escancara um problema real: a política sergipana continua fechando espaço para as mulheres.
Hoje, não temos nenhuma pré-candidata ao Governo de Sergipe ou ao Senado. Na chapa governista, mais uma vez, não há nenhuma mulher sendo colocada na disputa majoritária, repetindo o cenário de 2022. Até agora, apenas Priscila Felizola aparece como possível pré-candidata a uma das vagas majoritárias.
Em 2022, tivemos Niully Campos disputando o governo, Emília Corrêa e outras três mulheres como candidatas a vice-governadora, além de Danielle Garcia na disputa pelo senado. Nenhuma venceu, mas todas ajudaram a marcar aquele debate eleitoral. Emília, inclusive, viria a vencer a prefeitura de Aracaju na eleição seguinte.
Eleições também servem para construir lideranças políticas. A própria Niully já tinha sido candidata a deputada estadual pelo PSB, mas foi na candidatura majoritária pelo PSOL que ganhou muito mais projeção e passou a ocupar um espaço político que pode ser retomado sempre que quiser.
Por isso, seria importante que toda essa discussão sobre o papel das esposas na política se transformasse num debate mais amplo sobre a participação das mulheres e a ausência delas nos principais espaços de poder em Sergipe.
E vale lembrar: quando o vice-governador deixou a Secretaria da Educação, a nova secretária permaneceu como interina durante muito tempo. Ou seja, ainda precisamos discutir seriamente o machismo estrutural presente na política sergipana para evitar que situações assim continuem sendo naturalizadas.
Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense




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