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No governo Lula, o Bolsa Família botou R$ 11,6 bilhões pra circular no comércio de Sergipe

Foto do escritor: André Carvalho
André Carvalho
há 23 minutos
3 min de leitura

Foto: reprodução
Foto: reprodução

Lula botou 11,6 bilhões de reais pra circular no comércio de Sergipe. Isso mesmo! De janeiro de 2023 até outubro de 2026, foi esse o valor que o Bolsa Família depositou direto na conta das famílias sergipanas, sem passar por prefeitura nem por governo do estado. Os dados são do próprio Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, no sistema VIS DATA, e qualquer um pode conferir.

Dividindo pelo período, dá quase 250 milhões de reais por mês entrando na economia do nosso estado. E esse dinheiro não fica parado em banco, porque o público do programa não tem condições de guardar. Vai direto pra feira, pro mercadinho, pra farmácia, pra loja de material de construção do bairro. Vai pro consumo, no mesmo mês, aqui dentro de Sergipe.


Pra entender o tamanho disso, vale comparar com 2019, o último ano normal antes da pandemia, já no governo Bolsonaro. Naquele ano, o Bolsa Família colocava em Sergipe uns 49 milhões de reais por mês. Corrigindo pela inflação, dá uns 73 milhões em dinheiro de hoje. Ou seja, hoje entra mais de três vezes mais dinheiro, todo santo mês. E a diferença não está só no total: em 2019, o benefício médio era de 170 reais, uns 250 em valores atuais, e hoje passa de 660. São também umas 75 mil famílias a mais atendidas do que antes da pandemia.


E se você é contra o programa, preste atenção nisso. Um estudo do Ipea, feito em 2013 pelos pesquisadores Marcelo Neri, Pedro Ferreira de Souza e Fabio Monteiro Vaz, calculou que cada real colocado no Bolsa Família gera 1 real e 78 centavos no PIB. É o maior retorno entre as transferências do governo que o estudo comparou: cada real da Previdência gera 53 centavos, e o seguro-desemprego, 1 real e 6 centavos. Então, se você vende espetinho, o Bolsa Família te favorece. Se vende peça de moto, te ajuda. Até se você vende bolsa da Gucci, porque a economia ecoa: o beneficiário compra do varejista, que compra do atacadista, que compra da grande indústria, e todo mundo nessa cadeia paga salário, imposto e conta de luz.


Quem tem comércio em Itabaiana, em Lagarto, em Glória, em qualquer canto do estado, sabe: na semana do pagamento do Bolsa Família, a feira enche. Até o mais bolsonarista dos empresários se beneficia, mesmo que fale mal do programa no grupo do WhatsApp.


Por isso, a eleição deste domingo também passa por aqui. Lula é fundamental pro programa continuar e melhorar. O plano econômico de Flávio Bolsonaro não olha pros mais pobres, e a própria coordenadora econômica dele já disse que a ideia é “se inspirar nas reformas que Milei fez”. Na Argentina, a motosserra de Milei passou por aposentadoria e salário de servidor público. Tome cuidado com isso, porque corte de gasto desse tipo, numa economia como a nossa, sai direto do caixa do mercadinho.


Quem fala do Bolsa Família só como gasto, ou com preconceito, está olhando pra metade da conta, e muitas vezes por falta de informação. É política social, sim, mas também é política econômica, e das mais eficazes que existem pra fazer o dinheiro rodar dentro de Sergipe e do Brasil.



Fontes: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (VIS DATA, séries do Bolsa Família e do Auxílio Brasil em Sergipe); Ipea, “Efeitos macroeconômicos do Programa Bolsa Família” (2013); Jornal do Brasil, “Plano de Flávio Bolsonaro se inspira em Milei e prevê corte de gastos” (set/2026).

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