top of page
  • Instagram
  • Twitter

O crime organizado como expressão burguesa: quem realmente lucra com a criminalidade?

  • Foto do escritor: Gabriel Barros
    Gabriel Barros
  • 4 de set.
  • 2 min de leitura

Foto: Werther Santana
Foto: Werther Santana

Quando pensamos em crime organizado, é comum, em função do imaginário social causado pela grande mídia, associarmos às periferias e às camadas mais pobres da sociedade. No entanto, essa narrativa serve como cortina de fumaça para ocultar quem realmente se beneficia dessa estrutura: as elites econômicas. A recente descoberta das ligações entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e agentes financeiros da Faria Lima reforça uma verdade incômoda: o crime organizado é, em grande parte, um fenômeno burguês.


O crime não é apenas o ato violento que aparece no noticiário, mas todo um sistema econômico subterrâneo que movimenta bilhões em lavagem de dinheiro, corrupção e paraísos fiscais. Esse capital ilícito não circula em comunidades carentes; ele é integrado ao mercado formal por meio de bancos, corretoras e fundos de investimento. A economia do crime depende de advogados milionários, doleiros e operadores do sistema financeiro. E esses profissionais não moram na periferia: vivem no coração da elite urbana.


O caso recente envolvendo operações de lavagem com possíveis vínculos entre integrantes do PCC e players do mercado financeiro paulista é emblemático. Ele mostra como a chamada “Faria Lima” — símbolo do capitalismo financeiro brasileiro — não apenas se beneficia do dinheiro do crime, mas é peça-chave para que ele se mantenha lucrativo. Enquanto jovens negros da periferia são encarcerados por portar pequenas quantidades de drogas, executivos engravatados lucram com esquemas bilionários de lavagem, blindados por conexões políticas e jurídicas.


Isso desmonta o discurso moralista da “guerra às drogas” e do combate ao crime. Essa guerra é seletiva: serve para manter a base do crime (os pequenos operadores, geralmente pobres) sob controle, enquanto a cúpula — os verdadeiros beneficiários — permanece intocável. Em outras palavras: o crime organizado é uma engrenagem do capitalismo brasileiro, onde a periferia morre, mas a elite lucra.


Se quisermos falar sério sobre segurança pública, é preciso apontar para cima. Não é nas vielas, mas nas salas climatizadas dos escritórios financeiros que se decide o destino do dinheiro sujo. O crime organizado não é marginal: é burguês.

ree

Comentários


bottom of page