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Palanque contraditório leva vaias a Laércio Oliveira e constrangimento a Fábio Mitidieri durante visita de Lula

  • Foto do escritor: André Carvalho
    André Carvalho
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

O evento da Fafen, em Laranjeiras, acabou produzindo uma cena curiosa. Lula foi a Sergipe anunciar investimentos e, sem querer, expôs as contradições dos próprios aliados que dividiam o palanque com ele.


A primeira delas veio da plateia. Laércio Oliveira recebeu uma sonora vaia dos trabalhadores presentes. E não adianta vir com o discurso de que foi falta de educação. Quem gosta dos aplausos precisa respeitar as vaias. Elas são a manifestação legítima de um povo que vê um senador atuar sistematicamente contra os seus interesses.

Aliás, chamou atenção a reação de integrantes do agrupamento de Fábio Mitidieri. Alessandro Vieira, Érica Mitidieri e até Márcio Macêdo deixaram escapar risos enquanto Laércio era vaiado. Talvez porque saibam que aquela rejeição não surgiu por acaso. Ela é resultado de anos de atuação política contra os trabalhadores.

Mas o momento mais emblemático veio durante o discurso de Lula. Ao defender o papel das empresas públicas, o presidente criticou a lógica de governar vendendo patrimônio do povo. Disse que governantes que fazem isso não têm competência. A fala atingiu em cheio dois nomes que estavam ali ao seu lado. Laércio Oliveira, defensor das privatizações e apoiador dessa agenda nos governos Temer e Bolsonaro. E Fábio Mitidieri, que governa Sergipe aplicando exatamente a lógica que Lula condenava.

A expressão do governador dizia muito. Afinal, enquanto Lula criticava a entrega de empresas públicas, dividia o palanque com quem entregou a água dos sergipanos à iniciativa privada. Enquanto defendia o papel do Estado, estava ao lado de um governador que avança na transferência de serviços públicos para organizações privadas, inclusive na saúde.


Foi uma daquelas situações em que o discurso bateu de frente com a realidade do próprio palanque. Lula criticava um modelo de governo que, em Sergipe, é representado justamente por um de seus principais aliados. E aí está a grande contradição. Porque não basta denunciar a agenda privatista no discurso e, ao mesmo tempo, fortalecer politicamente quem a executa na prática.


Ao subir no palanque de Fábio Mitidieri, Lula acabou ajudando a legitimar um projeto político que caminha em direção oposta àquilo que defendia no microfone. E, de quebra, fortalece um agrupamento que trabalha para eleger André Moura ao Senado, mais um nome alinhado a essa mesma agenda. No fim, Lula acertou o alvo. O problema é que o alvo estava ao seu lado.

Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense


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