Palanque contraditório leva vaias a Laércio Oliveira e constrangimento a Fábio Mitidieri durante visita de Lula
- André Carvalho
- há 2 dias
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O evento da Fafen, em Laranjeiras, acabou produzindo uma cena curiosa. Lula foi a Sergipe anunciar investimentos e, sem querer, expôs as contradições dos próprios aliados que dividiam o palanque com ele.
A primeira delas veio da plateia. Laércio Oliveira recebeu uma sonora vaia dos trabalhadores presentes. E não adianta vir com o discurso de que foi falta de educação. Quem gosta dos aplausos precisa respeitar as vaias. Elas são a manifestação legÃtima de um povo que vê um senador atuar sistematicamente contra os seus interesses.
Aliás, chamou atenção a reação de integrantes do agrupamento de Fábio Mitidieri. Alessandro Vieira, Érica Mitidieri e até Márcio Macêdo deixaram escapar risos enquanto Laércio era vaiado. Talvez porque saibam que aquela rejeição não surgiu por acaso. Ela é resultado de anos de atuação polÃtica contra os trabalhadores.
Mas o momento mais emblemático veio durante o discurso de Lula. Ao defender o papel das empresas públicas, o presidente criticou a lógica de governar vendendo patrimônio do povo. Disse que governantes que fazem isso não têm competência. A fala atingiu em cheio dois nomes que estavam ali ao seu lado. Laércio Oliveira, defensor das privatizações e apoiador dessa agenda nos governos Temer e Bolsonaro. E Fábio Mitidieri, que governa Sergipe aplicando exatamente a lógica que Lula condenava.
A expressão do governador dizia muito. Afinal, enquanto Lula criticava a entrega de empresas públicas, dividia o palanque com quem entregou a água dos sergipanos à iniciativa privada. Enquanto defendia o papel do Estado, estava ao lado de um governador que avança na transferência de serviços públicos para organizações privadas, inclusive na saúde.
Foi uma daquelas situações em que o discurso bateu de frente com a realidade do próprio palanque. Lula criticava um modelo de governo que, em Sergipe, é representado justamente por um de seus principais aliados. E aà está a grande contradição. Porque não basta denunciar a agenda privatista no discurso e, ao mesmo tempo, fortalecer politicamente quem a executa na prática.
Ao subir no palanque de Fábio Mitidieri, Lula acabou ajudando a legitimar um projeto polÃtico que caminha em direção oposta à quilo que defendia no microfone. E, de quebra, fortalece um agrupamento que trabalha para eleger André Moura ao Senado, mais um nome alinhado a essa mesma agenda. No fim, Lula acertou o alvo. O problema é que o alvo estava ao seu lado.
Matéria derivada da produção audiovisual do Sergipense
