Aracaju quer uma esquerda corajosa


Nesta eleição, a garra do nosso povo emocionou e mudou o rumo do país. Em Sergipe, o eleitor não teve um terreno tão diverso, e o mais do mesmo ganhou de véspera pela carência de renovação. Porém, os bons quadros foram premiados, e isso precisa ser lembrado.
Inapelavelmente, a votação de Linda Brasil (PSOL) é o símbolo maior de um desejo popular por uma política feita com coragem de defender os trabalhadores. Foram mais de 44 mil votos espalhados por todo o estado. Outro nome que colheu os frutos de um mandato próximo ao povo e distante dos interesses do governo Mitidieri foi João Daniel, que viu sua votação subir e alcançar 88 mil votos.
Outra surpresa que premiou uma linha mais próxima das demandas populares foi a eleição de Camilo Daniel como deputado estadual pelo PT, superando nomes com maiores estruturas políticas e econômicas dentro do partido.
Claro que tivemos nomes na esquerda que não mostraram essa vontade de lutar contra as medidas de Mitidieri que afetaram a vida de nossa gente e que, mesmo assim, tiveram boas votações, seja pela enorme estrutura econômica e política, seja pela necessidade federal de eleger nomes próximos a Lula em Brasília. Mas megaestrutura com cargo ganhando eleição é regra, não é exceção.
Em Aracaju, os resultados mostram que a esquerda precisa responder ao desejo do eleitor e investir em quadros que verdadeiramente lutam por um Sergipe melhor para todos. Para estadual, o PSOL teve 34 mil votos na capital e a federação do PT, com PCdoB e PV, mais de 40 mil. Somados, são quase 75 mil eleitores de esquerda em Aracaju. E, mesmo com parte desses votos indo para nomes que apoiam Mitidieri, foram os mais combativos que puxaram a fila: Linda e Camilo foram os mais votados aqui, com 26 mil e 11 mil votos, respectivamente. Para federal, mesmo com o cálculo do eleitor sendo um pouco diferente, visando mais a defesa do governo Lula do que uma proteção em relação ao governo Mitidieri, João Daniel foi premiado com a maior votação da esquerda na capital, com 25 mil votos.
Por isso, seria um bom caminho para Sergipe que essa esquerda combativa estivesse unida num único palanque em 2028 aqui na capital. PSOL e PT têm muito a crescer e a contribuir com nossa gente estando unidos por Aracaju. Seria muito mais fiel ao sentimento que virou o jogo neste segundo turno de 2026.
Pelos acordos cômodos do governismo carguista, é possível que o PT acabe compondo uma chapa incapaz de responder às expectativas do eleitor e que o PSOL fique sozinho na luta por uma prefeitura de esquerda. Mas não dá pra ficar só na torcida. Cabe a quem acredita nessa esquerda combativa cobrar que a esquerda petista, respaldada pelas urnas, retome o rumo e, junto ao PSOL, dispute os corações dos aracajuanos. Um momento de esperança, como a reeleição de Lula, pode ficar sendo somente um momento caso não seja feito algo para que ele seja semente de algo maior.




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