PT sergipano suaviza oposição ao governador Fábio Mitidieri
- André Carvalho
- 19 de ago. de 2025
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Nos últimos meses, houve um arrefecimento da oposição ao governador Fábio Mitidieri (PSD), tanto na esquerda, quanto na direita. Na esquerda, partidos como PSB, PDT e PCdoB compõem a base de apoio desde o inÃcio do mandato, assim como parte do PT também o fez. Com a aproximação do próximo pleito eleitoral, até mesmo a ala petista crÃtica ao governo de Sergipe parece arrefecer.
Não é segredo que, assim como outras siglas de esquerda, parte do PT sergipano integra a aliança com Mitidieri desde o começo do governo, chegando a indicar o neto do presidente Lula (PT) para cargo de confiança no governo, enquanto militantes petistas abdicam de espaços em nome de uma militância ideológica voltada à causa. Apesar de haver um setor que se manteve crÃtico, nos últimos meses tem sido visÃvel a ausência de manifestações dessa ala contra o governo.
A candidata do PT à prefeitura de Aracaju, Candisse Carvalho, desde que retomou sua presença virtual, tem se dedicado a analisar a tática digital de EmÃlia Corrêa (PL), dando continuidade, à sua maneira, ao compromisso firmado em campanha de oposição. Contudo, é notável que nenhuma fala tenha sido construÃda no sentido de criticar o governo Mitidieri ou, por exemplo, os impactos da entrada da Iguá na vida dos aracajuanos.
Se a campanha impôs a Candisse a obrigação de contrapor o projeto de EmÃlia, a eleição de 2022 impôs a mesma tarefa a Rogério Carvalho (PT) em relação a Mitidieri. Apesar de sentir falta de crÃticas do lÃder petista ao governador nos últimos meses, surpreendeu o fato de, em entrevista à Fan FM, o senador ter poupado Mitidieri. Até mesmo em sua pauta central, a saúde pública, Rogério deixou de apontar problemas como a entrega de hospitais à s Organizações Sociais, o baixo número de vagas no concurso da saúde e o aumento da terceirização em detrimento de servidores estáveis.
É perceptÃvel que há uma tática de arrefecimento dessa oposição, certamente mirando as eleições do próximo ano. Mas táticas imediatas não podem sufocar a reconstrução do campo de esquerda no médio prazo. Esse arrefecimento, no entanto, não sinaliza para uma aliança formal com Mitidieri — que já deixou claro não ter interesse nesse caminho —, mas sim para um cálculo polÃtico de o projeto governista não atrapalhar a tentativa de reeleição dos petistas sergipanos em seus mandatos.
De toda forma, é lamentável que o PT perca a oportunidade de alimentar a chama da esperança polÃtica no povo sergipano. O projeto em curso não se assemelha ao que o PT apresentou em 2022, e não o combater contribui para o descrédito e para a desmotivação polÃtica. Caso o partido opte por jogar manso com o PSD, restará ao eleitorado de esquerda recorrer ao PSOL, que, apesar do crescimento, ainda é incipiente e possui pouca capilaridade para organizar um movimento robusto em todo o estado.
