PT sergipano suaviza oposição ao governador Fábio Mitidieri


Nos últimos meses, houve um arrefecimento da oposição ao governador Fábio Mitidieri (PSD), tanto na esquerda, quanto na direita. Na esquerda, partidos como PSB, PDT e PCdoB compõem a base de apoio desde o início do mandato, assim como parte do PT também o fez. Com a aproximação do próximo pleito eleitoral, até mesmo a ala petista crítica ao governo de Sergipe parece arrefecer.
Não é segredo que, assim como outras siglas de esquerda, parte do PT sergipano integra a aliança com Mitidieri desde o começo do governo, chegando a indicar o neto do presidente Lula (PT) para cargo de confiança no governo, enquanto militantes petistas abdicam de espaços em nome de uma militância ideológica voltada à causa. Apesar de haver um setor que se manteve crítico, nos últimos meses tem sido visível a ausência de manifestações dessa ala contra o governo.
A candidata do PT à prefeitura de Aracaju, Candisse Carvalho, desde que retomou sua presença virtual, tem se dedicado a analisar a tática digital de Emília Corrêa (PL), dando continuidade, à sua maneira, ao compromisso firmado em campanha de oposição. Contudo, é notável que nenhuma fala tenha sido construída no sentido de criticar o governo Mitidieri ou, por exemplo, os impactos da entrada da Iguá na vida dos aracajuanos.
Se a campanha impôs a Candisse a obrigação de contrapor o projeto de Emília, a eleição de 2022 impôs a mesma tarefa a Rogério Carvalho (PT) em relação a Mitidieri. Apesar de sentir falta de críticas do líder petista ao governador nos últimos meses, surpreendeu o fato de, em entrevista à Fan FM, o senador ter poupado Mitidieri. Até mesmo em sua pauta central, a saúde pública, Rogério deixou de apontar problemas como a entrega de hospitais às Organizações Sociais, o baixo número de vagas no concurso da saúde e o aumento da terceirização em detrimento de servidores estáveis.
É perceptível que há uma tática de arrefecimento dessa oposição, certamente mirando as eleições do próximo ano. Mas táticas imediatas não podem sufocar a reconstrução do campo de esquerda no médio prazo. Esse arrefecimento, no entanto, não sinaliza para uma aliança formal com Mitidieri — que já deixou claro não ter interesse nesse caminho —, mas sim para um cálculo político de o projeto governista não atrapalhar a tentativa de reeleição dos petistas sergipanos em seus mandatos.
De toda forma, é lamentável que o PT perca a oportunidade de alimentar a chama da esperança política no povo sergipano. O projeto em curso não se assemelha ao que o PT apresentou em 2022, e não o combater contribui para o descrédito e para a desmotivação política. Caso o partido opte por jogar manso com o PSD, restará ao eleitorado de esquerda recorrer ao PSOL, que, apesar do crescimento, ainda é incipiente e possui pouca capilaridade para organizar um movimento robusto em todo o estado.




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